A cegueira da Alma – Arcturianos

A cegueira da Alma

Vagando pelos cantos da casa a espreitar-me.
Onde eu ia, encontrava-o.
Até nos sonhos, acusava-me de leviana.
Cobrava-me os débitos do passado.
Estava louca, meu Deus?
Na minha inocência, creditava a sua
presença às ilusões da mente…

Em risos, ele dizia-me: sou real e estou aqui!
Desse desconhecido, quis fugir,
Mas a curiosidade é flecha lançada.
Lentamente, perfurava a alma;
Qual era o pagamento que esse cobrador
implacável buscava?
Num surto, inquiri-o.
Quem és tu?

Zombeteiro, respondeu-me: não me
reconheces, pobre Criatura?
Sou os seus medos, a sua submissão emocional;
O seu desejo em ser aceita e admirada pelo
mundo, sendo que tu não se aceitas…
As amarras imaginárias que criastes, no decorrer da vida;
A cela em que livremente te
enfiastes e recusas a sair;
Sou o seu fiel escravo, sirvo ao seu desamor;

Nesse instante, eu o reconheci.
Foste, ao longo do tempo, luz na minha escuridão, a refletir a minha pequenez.
Em prece, agradeci e libertei-o!
A liberdade anunciava a renovação.
Confiante, segui em frente.

Lysia Moreira

Lysia Moreira

Advogada e poetisa.

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